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    Tartarugas se adaptaram à vida na água antes da extinção dos dinossauros, aponta estudo da USP

    Representação de tartaruga que viveu há milhões de anos no planeta (Foto: Reprodução/EPTV)
    Um estudo feito por pesquisadores da USP de Ribeirão Preto (SP), Reino Unido e Alemanha apontou evidências de que as primeiras tartarugas do planeta tinham hábitos exclusivamente terrestres e sobreviveram à extinção dos dinossauros ao se adaptarem à vida aquática.

    As conclusões publicadas na edição de fevereiro da revista científica "Frontiers in Ecology and Evolution" foram obtidas a partir da reconstrução, em 3D, do cérebro, das narinas e do ouvido da Proganochelys quenstedti, tartaruga com casco completo conhecidamente mais antiga do mundo, que viveu há mais de 210 milhões de anos no período triássico.

    "A gente consegue entender a evolução das tartarugas, de como elas chegaram até os dias de hoje. A gente pode ver, por exemplo, que essas primeiras tartarugas tinham cérebro simples, de certa forma, e posteriormente, durante a evolução, desenvolveram cérebros mais complexos e isso está relacionado com o fato de elas invadirem outros habitats", explica o paleontólogo Gabriel Ferreira, doutorando na USP de Ribeirão Preto e coautor do estudo.

    A reconstituição da tartaruga foi realizada com o uso de tomografias computadorizadas de fósseis da espécie encontrados na Alemanha. A partir do modelo criado, foi possível notar, por exemplo, que a cavidade nasal desses animais era muito maior do que as espécies aquáticas hoje encontradas.

    "O cérebro, de uma forma geral, tem essa estrutura bastante simplificada nessa tartaruga, mas o que melhor revelou, o que deu mais detalhes sobre essas inferências paleontológicas é a cavidade nasal. Elas tinham uma cavidade nasal bastante grande, de tamanhos comparáveis a outras criaturas terrestres", afirma o pesquisador.

    Representação de tartaruga que habitou o planeta há 210 milhões (Foto: Reprodução/EPTV)
    Outra evidência está relacionada ao formato das estruturas do ouvido, que, além da audição é responsável pela orientação e pelo equilíbrio do organismo. Segundo Ferreira, o labirinto da Proganochelys quenstedtitinha uma composição menos complexa se comparada com as de vida aquática.

    "Animais que são mais ágeis tendem a ter um ouvido de uma certa morfologia, com os canais semicirculares mais desenvolvidos, mais longos e em diversas posições. No caso da Proganochelys, ela tinha um ouvido com canais bastante curtos e praticamente horizontais, o que sugere que ela não era muito capaz de movimentos muito ágeis nem muito sofisticados."

    Os pesquisadores também acreditam que, diferente das tartarugas terrestres hoje existentes, as do período triássico não cavavam tocas embaixo da terra e eram herbívoras.

    Cérebro reconstituído de tartaruga com casco mais antiga do mundo, na USP de Ribeirão Preto (SP) (Foto: Reprodução/EPTV)
    Ao analisar a evolução desses animais, o paleontólogo afirma que a complexidade cerebral das tartarugas está diretamente ligada à sua capacidade de adaptação. "Ao mesmo tempo em que desenvolveram esses cérebros mais complexos, e maiores também, elas conseguiram invadir outros ambientes."

    O paleontólogo Gabriel Ferreira, na USP de Ribeirão Preto (SP) (Foto: Reprodução/EPTV)
    Hoje, as diferentes espécies de tartarugas que habitam o planeta, algumas em extinção, estão sujeitas à ação humana.

    "As tartarugas marinhas têm uma grande ameaça por causa da poluição dos oceanos, de pessoas que pescam, predam os ovos nas praias", exemplifica.

    Tartarugas se adaptaram à vida aquática antes da extinção dos dinossauros, aponta estudo da USP de Ribeirão Preto (SP) (Foto: Reprodução/EPTV)

    Fonte: G1
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