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    Pesquisadores descobrem fóssil de lagarto de quatro olhos

    MODELO 3D QUE RECONSTRÓI OS DOIS NOVOS OLHOS DESCOBERTOS NO LAGARTO PRÉ-HISTÓRICO DA ESPÉCIE SANIWA ENSIDENS
    (FOTO: SENCKENBERG GESELLSCHAFT FÜR NATURFORSCHUNG / ANDREAS LACHMANN / DIGIMORPH.ORG)

    Não é raro de se encontrar na natureza animais que possuam o que pesquisadores chamam de “terceiro olho”, uma estrutura sensível à luz que se forma a partir de uma continuação da glândula pineal, localizada centro do cérebro. Diversos peixes e sapos, por exemplo – além de outros vertebrados primitivos – possuem essa formação celular em suas cabeças.

    No entanto, esse terceiro olho não é um olho real, já que não está conectado ao córtex visual cerebral e não tem função de enxergar; o trabalho que ele executa está mais associado à regulação do corpo e à orientação do ciclo circadiano do animal.

    Por muito tempo, a ciência se questionou se lagartos também teriam essa formação. Muitos pesquisadores diziam que não, já que o que poderia ser o terceiro olho desses répteis estava em uma região distante da glândula perineal.

    Para sanar essa dúvida, um grupo de pesquisadores do Museu de História Natural Senckengerb, em Frankfurt (Alemanha) e da Universidade de Yale, em Connecticut (EUA) decidiu buscar por respostas.

    A equipe estudou restos de fósseis do pré-histórico lagarto-monitor (Saniwa ensidens), que viveu há aproximadamente 50 milhões de anos no território onde hoje ficam os Estados Unidos. Esse réptil, que media cerca de dois metros, é um ancestral próximo dos lagartos modernos.

    Ao analisar o material, os paleontólogos descobriram que no topo da cabeça dos animais havia dois orifícios que funcionavam como passagens para células nervosas. Após uma análise cuidadosa, os buracos apareceram associados às glândulas pineal e parapineal, um outro órgão cerebral que é bem desenvolvido nos peixes lampreias.

    Segundo a equipe, essa descoberta serviu como confirmação de que o terceiro olho dos lagartos é realmente diferente dos de outros gnatostomados, superclasse de animais vertebrados que possuem mandíbulas.

    O grupo também acrescenta que não há nada de “místico” nos dois olhos, mas que essas estruturas permitiram que os lagartos fizessem uso de habilidades extraordinárias, como perceber a luz e se orientar geograficamente.

    Os cientistas já têm como plano para o futuro tentar entender mais sobre a evolução desses órgãos e a função deles na vida dos animais.


    Fonte: Revista Galileu
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